<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621</id><updated>2011-08-17T08:56:19.523-07:00</updated><category term='socialismo'/><category term='capitalismo'/><category term='natal com o franguinho na panela'/><category term='curitiba'/><category term='A tragédia particular que a TV mostra a nossas crianças'/><category term='A página de Deus na internet'/><category term='o filho de corrupto e ladrão'/><category term='Carne de pescoço é o prato do paranaense'/><category term='MORRER E VIVER NUM GRÁFICO'/><category term='cronicas'/><category term='economia'/><category term='bolsas'/><category term='diógenes'/><category term='A greve virtual continua'/><category term='companheiro'/><category term='crimes'/><category term='escritor brasileiro'/><category term='josé fernando nandé'/><category term='Um pedido de Natal'/><category term='Notícia ou espetáculo de horror? TV'/><category term='emprego'/><category term='tv. globo'/><category term='crônicas'/><category term='paraná'/><category term='crônica'/><category term='crise'/><category term='Fukuyama'/><category term='Maysa'/><title type='text'>Crônicas &amp; Contos tropicais</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-528225717497633410</id><published>2010-01-19T15:25:00.000-08:00</published><updated>2010-01-19T15:27:13.083-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A tragédia particular que a TV mostra a nossas crianças'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cronicas'/><title type='text'>A tragédia particular que a TV mostra a nossas crianças</title><content type='html'>Dizem que a coisa começou lá com os gregos e ganhou força sobremodo com os romanos: nosso gosto por tudo quanto possa ser considerado dramático. Por herança, além das línguas românticas (Português, Francês, Italiano, etc), herdamos em nosso sangue latino a paixão, esta capacidade de sofrer, que nada mais é do que tocar a vida adiante sem muita lucidez e afastados da razão. Por isso, amamos a tragédia e a comédia. Por isso, endeusamos nossos atores, artistas e perdemos tempo em frente à TV vendo novelas, programas de humor e filmes. Porém, nosso pão e circo têm lá suas limitações. O pão sempre foi pouco. No circo TV, os autores debatem-se para descobrir uma nova fórmula em suas ficções esgotadíssimas em qualidade e criatividade, que determinam a constante queda de audiência dos novelões, repetidos em forma, esquetes e tipos. Nessa crise de criatividade ficcional, o que nos sobra é apelar para a tragédia ou comédia real e se possível dramas particulares eivados de irracionalidade e estupidez, como se isso nunca tivesse feito parte da condição humana. A criança arremessada pela janela por um casal e agora a moça seqüestrada e morta pelo namorado são seqüências de uma mesma história de horror televisiva. Na comédia real, votamos em candidatos engraçados e estúpidos para assim garantirmos o riso extra. Na tragédia real, colocamos entre os atributos da notícia a capacidade dela tornar-se um drama desenvolvido em capítulos desconexos, porque a realidade não nos parece conexa. A paixão levada do privado para o público, do particular para o coletivo. Mas nada disso é novo, apenas usamos novas formas para espalhar o boato, a notícia nos modernos meios eletrônicos, em escala, velocidade e alcance, antes inimagináveis. Na verdade, estamos dando nova roupa ao velho fuxico de cerca de nossos avós, quando tudo era contado de ouvido para ouvido. Temos dois mil anos de desenvolvimento da técnica que culminou na Sociedade da Informação, rápida, global e eficiente. Dois milênios usando todo nosso gênio para que lembremos em instantes que, sob os efeitos da paixão, não somos diferentes dos nossos semelhantes que habitavam as cavernas: estúpidos e desgraçadamente animais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-528225717497633410?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/528225717497633410/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=528225717497633410' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/528225717497633410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/528225717497633410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2010/01/tragedia-particular-que-tv-mostra.html' title='A tragédia particular que a TV mostra a nossas crianças'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-4392160715475292998</id><published>2009-06-26T10:01:00.000-07:00</published><updated>2009-06-26T10:02:41.843-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='o filho de corrupto e ladrão'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>O filho do corrupto e ladrão</title><content type='html'>Você já viu ou falou com filho de corrupto ou ladrão? É constrangedor. O cara esconde o nome da família e fica morrendo de medo de ser identificado. Nunca diga para um desses sujeitos: "conheci seu pai", porque imediatamente os olhos dele vão grudar no chão e de lá só sairão quando você desocupar o recinto. Pois é, topei com um deles hoje, filho de um comprovado ladrão do dinheiro público.&lt;br /&gt;O filho de ladrão é um ser que fatalmente vai dar em nada e o cara que encontrei é um nada. Não porque ele &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;quis&lt;/span&gt; ser nada, mas porque seu pai foi tudo, inclusive ladrão.&lt;br /&gt;Ele julga carregar na testa a marca de Caim, criminoso por extensão e por herança.&lt;br /&gt;Fico pensando, como é que o corrupto chega em casa e encara a mulher e seus filhos já amaldiçoados pelo crime do roubo? Roubo do dinheiro da comida das crianças abandonadas, dos desvalidos, desse povo que morre na fila dos postos de saúde.&lt;br /&gt;Como é que dorme um sujeito desses? Que inferno meu Deus! A vida deste infeliz deve ser o inferno que troveja o silêncio dos culpados, que produz labaredas que queimam sempre a mesma ferida. O inferno inexorável que condena gerações.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-4392160715475292998?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/4392160715475292998/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=4392160715475292998' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/4392160715475292998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/4392160715475292998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2009/06/o-filho-do-corrupto-e-ladrao.html' title='O filho do corrupto e ladrão'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-3187353794271070851</id><published>2009-02-08T04:44:00.000-08:00</published><updated>2009-02-08T04:57:59.212-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Fukuyama'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bolsas'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='capitalismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='diógenes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='socialismo'/><title type='text'>O cachorro louco de Diógenes</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SY7Wlen39LI/AAAAAAAACSk/Mc_vt12aOms/s1600-h/diogenes.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5300409750825465010" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 238px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SY7Wlen39LI/AAAAAAAACSk/Mc_vt12aOms/s320/diogenes.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Caso fôssemos caracterizar o tempo que antecedeu a este final de século, poderíamos dizer que os anos 60 foram os anos da rebeldia, das últimas revoluções, do idealismo militante. Os 70 foram os anos da consolidação das transformações sociais propostas e levadas a cabo pela década anterior. Nos anos 80, o que era revolucionário nos anos 60 ficou congelado e a humanidade começou a patinar na sua própria evolução social. Assim chegamos a nossa década, com rompantes conservadores de extremo cinismo e individualista.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Exemplo maior do cinismo de nossa época foi construído em 1992 por um obscuro teórico político que trabalhava no Departamento de Estado do governo americano, durante a era Bush, Francis Fukuyama. Apoiado na sólida dialética hegeliana, numa penada, ele simplesmente decretou o fim da história no seu ‘‘The end of history’’. Em linhas gerais, Fukuyama definiu a história como a luta humana para encontrar o sistema político mais sensato - ou menos nocivo. Assim, no século XX, o modo de produção capitalista só tinha um adversário sério: o socialismo. No raciocínio tábula rasa de Fukuyama, com o colapso do Leste Europeu, no final dos anos 80, a chamada ‘‘democracia’’ liberal, deusa do capitalismo, havia vencido. A luta dos contrários terminara, por pura falta de oponentes. Certos cientistas, em busca da verdade, comportam-se como o cachorro de Diógenes que ficou louco, mas Fukuyama foi além e mordeu o cachorro. O futuro da humanidade para ele estava definido, pacífico e confortável, embora enfadonho.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Fukuyama esqueceu dois detalhes, ou não quis ver estes detalhes, o socialismo sucumbiu sobre si mesmo, pois desde Lênin estava descaracterizado como tal. Com o tempo, os que estavam à frente da União Soviética deixaram de lado o velho lema dos comunistas franceses: de cada um segundo suas possibilidades, a cada um segundo suas necessidades. Daí aquele Estado monstruoso, com uma elite governante e uma burocracia gorda e esponjosa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Segundo detalhe: os capitalistas não são um bando de frades franciscanos sempre prontos para a caridade. Como um verme que subsiste no organismo para se deliciar com o futuro cadáver, a essência do capitalismo continua a mesma, embora tomando nomes diferentes conforme a época e conveniências: a exploração do homem pelo homem.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Hoje, a exploração tem o nome pomposo de globalização - que já disse aqui ser a última panacéia capitalista inventada para curar todos os nossos males. Mas, com as sucessivas quedas nas bolsas do mundo todo chega-se a duas conclusões: que a globalização não veio para ser a cura e sim a doença e que a história continua como sempre foi, a luta entre os contrários: exploradores e explorados.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Agora, dentro do cinismo que campeia este nosso globo miserável, os grandes capitalistas resolveram ganhar dinheiro como nunca. A idéia básica é escolher um país emergente qualquer, engordar sua economia com um afluxo de capital descomunal e depois, como um bando de gafanhotos, deixar o País arrasado. Para não perder ainda mais, estes países acabam por oferecer o couro do seu povo para a usura internacional. Aumentam impostos, dão apertos financeiros nos assalariados e se jogam de cabeça na recessão, causando para os seus desemprego e fome. E, num último suspiro, aumentam as taxas de juros para satisfazer os agiotas que batem às suas portas. O Brasil entrou nesta ciranda, e resta saber como nosso cínico-mor, Fernando Henrique Cardoso, se reeleito, vai se safar da roda esmagadora da história. &lt;strong&gt;(25/09/98)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-3187353794271070851?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/3187353794271070851/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=3187353794271070851' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/3187353794271070851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/3187353794271070851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2009/02/o-cachorro-louco-de-diogenes.html' title='O cachorro louco de Diógenes'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SY7Wlen39LI/AAAAAAAACSk/Mc_vt12aOms/s72-c/diogenes.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-2140962859633585803</id><published>2009-01-26T05:29:00.000-08:00</published><updated>2009-01-26T18:40:46.876-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='MORRER E VIVER NUM GRÁFICO'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><title type='text'>Morrer e viver num gráfico</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SX277GUyqQI/AAAAAAAACRM/23X7UHhu1V4/s1600-h/ESTA.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5295595360842066178" style="FLOAT: right; 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Morrer apenas não serve!”&lt;br /&gt;“Crime passional, o terceiro deste mês! Com este nós já chegamos a nossa média histórica de 3%!”&lt;br /&gt;“Ainda bem! Estava preocupado, iríamos fechar o ano com esta falha grave na estatística de crimes violentos.”&lt;br /&gt;“Verdade. Como explicar para o chefe do departamento que mulheres, maridos e amantes se mataram 0,001% a menos do que nos outros anos?”&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;Com este suposto diálogo entre burocratas, chegamos à conclusão de que a vida e as coisas que se faz durante sua brevidade pouco ou quase nada valem. Desde que nasce o homem está condenado a ser uma variável flutuante entre as diferentes formas que encontramos para nos medir e contar. Neste início de milênio, mais do que em outra época, somos a infinitesimal parcela de bilhões de gráficos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A coisa começa lá no hospital: determina-se, numa tabela, os que nascem vivo, os inválidos e o sexo. Passamos depois a freqüentar as macroestatísticas das Nações Unidas. Podemos ser a gota d’água da superpopulação, acrescentando milésimos do nada na hipócrita pesquisa que aponta os que podem comer e os que serão mortos pela falta de alimentos. Até o fim e depois do fim, quando figurarmos apenas como um percentual na cota do coveiro, seremos medidos, comparados e analisados das mais diversas formas. Porém, sempre sem rostos, na impessoalidade, na rigidez hermética dos números.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estatística é antes de tudo informação. Seus resultados podem ser considerados inúteis para a maioria das pessoas, que inconscientemente cada dia mais faz parte deles. Como informação, a estatística torna-se instrumento de controle e dominação do homem, das massas, dos países e da economia mundial. Os jornais surgiram para orientar os novos capitalistas nascidos nos burgos, os mercadores que atiraram por terra os senhores feudais e dominaram o operariado. Na época, o mercado resumia-se a alguns países da África, da Ásia e da Europa. Os jornais eram lentos, alguns manuscritos e de tiragens ridículas. Eles demoravam semanas para comunicar uma guerra e, não raro, quando a comunicavam, já era tarde. Fortunas se perdiam em segundos. Os investimentos hoje são feitos pelas tendências dos mercados, todos relacionados pela globalização (novo nome dado à máxima liberal ‘‘homo hominis lupus’’). Estas tendências são medidas por estatísticas instantâneas que podem ser acessadas num pequeno terminal de qualquer operadora do mercado financeiro. Desta forma, um capitalista que more em Boi Perdido pode controlar seu rico capital investido em petróleo na Arábia Saudita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas é na política que a estatística se supera como forma de dominação. Tiradentes certamente não seria enforcado caso a Coroa patrocinasse uma pesquisa para saber se os brasileiros aceitavam ou não as idéias propostas pelos inconfidentes. No máximo, o Império faria uma contrapropaganda informando a seus súditos a maravilha que era fazer parte da pátria de Camões. Hoje, nem mesmo o mais tonto dos políticos dá um passo sem saber o que pensa a opinião pública — este ente que teima em responder por todos e que ignora o pensamento das minorias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com as estatísticas, o político fala o que o povo quer ouvir, ao mesmo tempo em que faz o que o povo não quer. Forma-se, assim, uma cadeia de ação e reação. Para todo ato desagradável é possível um discurso ao gosto de boa parte dos ouvidos, geralmente surda pelo canto da sereia da indiferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Definitivamente somos números e com uma pequena margem de erro, constantes. Eles sabem o sabonete que vamos comprar. A hora em que dormimos e morremos. Mas, felizmente, ignoram os que não se contentam em ser número e que, quase quixotescamente, lutam contra a estatística dos conformados e a probabilidade dos néscios.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-2140962859633585803?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/2140962859633585803/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=2140962859633585803' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/2140962859633585803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/2140962859633585803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2009/01/morrer-e-viver-num-grfico.html' title='Morrer e viver num gráfico'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SX277GUyqQI/AAAAAAAACRM/23X7UHhu1V4/s72-c/ESTA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-3775212060925746984</id><published>2009-01-19T07:57:00.000-08:00</published><updated>2009-01-19T08:12:41.784-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A greve virtual continua'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='companheiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>A greve virtual continua, companheiro</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SXSmVvltd6I/AAAAAAAACKI/DbpXiFhIui0/s1600-h/greve.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 200px; height: 182px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SXSmVvltd6I/AAAAAAAACKI/DbpXiFhIui0/s200/greve.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5293038354549274530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou um grevista. Nestes tempos bicudos — louco início de século — em que o desemprego atinge até os ratos, por pura falta do que roer, ser grevista é experimentar um estado de espírito indescritível. Na última quarta-feira não me conectei à internet. Aderi à greve virtual convocada por virtuais amigos do virtualíssimo sindicato dos usuários desta tremenda rede mundial de informações – incrivelmente sem donos. E por falta de donos, resolvemos nos revoltar contra os gerentes do novo meio de comunicação: os provedores e as companhias telefônicas. Estamos pagando muito para exercer o nosso direito básico de digitalizar a realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Grevista virtual, organizei um piquete no meu computador. Arranjei um jeito de travá-lo. Desliguei o teclado e o mouse. Fiz mais, tirei todos os meus livros da estante e construí uma barricada intransponível entre nós. Fiquei de vigília, olhando aquela máquina pulsando sua tela de descanso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início da noite não resisti. Comecei a ligar para alguns amigos. Precisava de algumas informações que, normalmente, seriam obtidas facilmente caso eu estivesse conectado à rede. Falei com um amigo virtual do Mato Grosso do Sul. Perguntei a ele como estava a adesão à greve naquele Estado da Federação. Na maior cara-de-pau, ele me perguntou: ‘‘Que greve?’’. Não respondi nada. Não falo com fura-greve. Imediatamente o coloquei na minha longa lista de inimigos. Sublinhei seu e-mail com uma caneta azul, escrevi ao lado: ‘‘Persona non grata, reaça, inimigo da classe’’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei depois para Coimbra, Portugal. Tenho uma amiga virtual lá. Ela disse que nada sabia de nossa greve. Lembrei-me, pois, que a greve fora convocada só no Brasil. Pedi desculpas, e prometi um relatório completo pela infovia no dia seguinte. Ela disse que iria convocar seus pares portugueses para enviar-nos uma mensagem de solidariedade, na qualidade de representantes do Partido Comunista Português. Desliguei o telefone. Tomei novamente a minha lista de e-mails e do lado do nome de minha amiga portuguesa anotei em vermelho: ‘‘Camarada Joaquina, digna representante virtual da vanguarda do proletariado”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perfilei-me do lado do meu computador. Comecei a assoviar a ‘‘Internacional’’. Imaginei milhares de grevistas virtuais gritando palavras de ordem. ‘‘Internautas unidos, jamais serão vencidos.’’ Ou ainda: ‘‘Um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos que o provedor vá para p.q.p.’’ E as bandeiras. Greve sem bandeira é sogra sem genro. E lá estavam elas. As bandeiras vermelhas, também virtuais, semelhantes à logomarca da Microsoft, sendo sopradas e onduladas pelo vento. Nem nas Diretas e na deposição de Collor o Brasil viu coisa igual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas faltava mais alguma coisa — a polícia — é isto, a polícia. Greve sem polícia não é greve, é qualquer coisa, uma convenção de senhoritas de colégio de freiras, por exemplo. (Aviso ao leitor: escrevo, é lógico, um dia depois da greve. Este texto já estava quase terminado, mas um vírus anarquista resolveu atacar a máquina. Metade do escrito foi para o ralo virtual. Daqui em diante é uma nova versão do que eu havia escrito anteriormente). Liguei para a delegacia. Um agente da lei, mal-humorado, por sinal, atendeu-me. Perguntei se algum trotskista aproveitando-se da situação não tinha por um acaso detonado uma bomba em algum posto telefônico. Tive que desligar o telefone rápido. O cara era realmente azedo e nada educado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez para a meia-noite. Nenhuma notícia. Sintonizei meu velho rádio em ondas curtas e médias. A BBC ignorou a nossa greve e apresentava um especial sobre a dupla ‘‘O Gordo e o Magro’’. A Voz da América falava sobre o perigo cubano. Na TV, uma nova receita para evitar roncar durante o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meia-noite. A greve terminara. Desfiz o piquete. Tentei mil conexões com a rede. Que nada. O bicho estava travadinho. Era a vez da greve da máquina. De imediato, peguei uma caneta e comecei a redigir um manifesto. ‘‘Um fantasma ronda os chips... PCs do mundo, uni-vos...’’.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Texto publicado em 1999)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-3775212060925746984?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/3775212060925746984/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=3775212060925746984' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/3775212060925746984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/3775212060925746984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2009/01/greve-virtual-continua-companheiro.html' title='A greve virtual continua, companheiro'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SXSmVvltd6I/AAAAAAAACKI/DbpXiFhIui0/s72-c/greve.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-6191295288852657162</id><published>2009-01-07T05:39:00.001-08:00</published><updated>2009-01-26T18:44:25.465-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Maysa'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônica'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv. globo'/><title type='text'>Maysa, gata mansa, olhos verdes nada pacíficos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SWTT9Zc1FBI/AAAAAAAACII/TolVvY55iGE/s1600-h/maysa1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5288584914197091346" style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; WIDTH: 320px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 208px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SWTT9Zc1FBI/AAAAAAAACII/TolVvY55iGE/s320/maysa1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou adepto da TV. Sou da geração que escutou rádio na infância e nos finais de semana freqüentou as matinês (viu o trema em “freqüentou”, pois é, não tem capeta que tire este acento daí, ele vem por conta do Microsof t Word). Mas como dizia, raramente paro e dou uma olhadinha no que aparece no cinescópio – nome pomposo do tubo de imagem da televisão, hoje já substituído pelas novas tecnologias: Plasma, LCD, etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há também o fato de que a TV é, para mim, a verdadeira máquina do sono, durmo até mesmo nos jogos finais de Copa do Mundo. Nas conquistadas pelo Brasil, com exceção de 1970, só acordei com o barulho dos fogos de artifício. Sou bom de sono. No Exército, conseguia dormir com as baterias de artilharia atirando a noite toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, o que eu queria dizer mesmo é que raramente vejo TV. E na segunda-feira consegui assistir a um capítulo da minissérie (é assim que escreve, dobrando o “s”) Maysa (notem, que o uso do “y” não é mais crime). Realmente, uma produção impecável, com magnífico figurino e ambientação nota 10. A atriz principal, a gaúcha Larrissa Maciel foi um achado, mansa, perfeita com seus olhos verdes nada pacíficos. Embora escrita em cima de uma história conhecida e aparentemente verdadeira, os autores não dispensaram nesta minissérie os elementos de ficção e arquétipos da dramaturgia, necessários para garantir a audiência e o tão propalado e inexistente “padrão Globo de qualidade”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim, a personagem Maysa tem licenças para ser o que foi, com exageros até. Já os quatrocentões dos Matarazzo são preservados. São as reservas morais da trama. André Matarazzo, por exemplo, casou com Maysa não obstante a grande diferença de idade, cerca de 20 anos e é apresentado quase que como um padre, bizarramente beato, defensor perpétuo da tradição, família e propriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estão na moda estas biografias beatas! Tudo feito para preservar a imagem dos bacanas e dar trabalho para os futuros historiadores, que terão que separar a ficção da realidade. E que pelo que se sabe, biografias podem ser compradas e falseadas por algum tempo, mas não por todo o tempo.&lt;br /&gt;Por isso, acredito que pouco devo ter perdido nos anos em que não assisti TV. E faço aqui um desafio, experimente ficar longe da telinha por algum tempo, verifique que a sua vida será bem mais produtiva e que as macaquices globais não lhe farão falta alguma. Escute música, leia um livro, jornal, dê um beijo no companheiro ou companheiro, brinque com os filhos, sobrinhos, brigue com a sogra, ou ainda não faça nada, qualquer coisa será melhor do que os dementes do Jardim Botânico pensam ser o que você deseja.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-6191295288852657162?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/6191295288852657162/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=6191295288852657162' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/6191295288852657162'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/6191295288852657162'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2009/01/maysa-gata-mansa-olhos-azuis-nada.html' title='Maysa, gata mansa, olhos verdes nada pacíficos'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SWTT9Zc1FBI/AAAAAAAACII/TolVvY55iGE/s72-c/maysa1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-1041377383302007849</id><published>2008-12-23T08:41:00.001-08:00</published><updated>2008-12-23T08:49:42.911-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Um pedido de Natal'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><title type='text'>Um pedido de Natal</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SVEWleiNTMI/AAAAAAAACDc/O9cOalS8ZMk/s1600-h/medico.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 257px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SVEWleiNTMI/AAAAAAAACDc/O9cOalS8ZMk/s320/medico.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283028670989814978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Entra ano e passa ano e a mesma coisa: juro que não escreverei mais sobre o tema Natal. Mas, esta é uma luta inglória, sou um repórter do meu tempo e meu tempo, pelo menos agora, se faz Natal. Vejo isso nos olhinhos vivos da criança que namora brinquedos numa vitrine. Vejo isso, nas propagandas de TV, no movimento do açougue e das ruas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas algo me diz que tudo que acontece não é real. Aqui na minha frente tenho as grandes estatísticas das Nações Unidas e vejo que o mundo é uma grande tragédia transformada em números: quase 1 bilhão de pessoas morrendo de inanição no mundo, uma criança morta de fome a cada 5 segundos... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É, meu amigo... As estatísticas nos são ótimas, pois tragédia traduzida em número quase não dói nada, comove pouco. Os políticos safados já descobriram isso faz tempo. O povo morrendo de fome e doença, mas lá estão eles com números provando exatamente o contrário. Qualquer tragédia na boca desses caras, além de número, torna-se uma oportunidade deles demonstrarem um grande coração ao se comoverem com lágrimas de crocodilo, dizendo que tudo está sendo resolvido, que recursos estão sendo liberados e blá, blá, blá... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por estas razões resisto em escrever sobre o Natal, pelo lado comercial e demagógico que envolve a data. Entretanto, não posso deixar de lado a grande esperança colocada no Natal por pessoas que realmente desejam o bem de seus semelhantes.   Já andei muito pelo mundo e vi que temos entre nós grandes almas, quase sempre discretas, que trabalham para seu semelhante sem esperar até mesmo um obrigado. É certo que vi muita maldade, sujeitos forjados na maldade. Mas não ligo para os artífices do mal. Sei que o mal sempre perde, pode demorar, mas sempre perde. Os maus nunca contam com a grandeza espiritual das pessoas boas e, pequenos, são derrotados por toda parte e sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E é para as almas iluminadas que vale a pena escrever neste Natal, ou em qualquer Natal. Para estas grandes almas que, incógnitas, estão por aí lutando para botar um bocadinho que seja de amor nos corações do homem.&lt;br /&gt;Por isso não vou pedir ou desejar coisas que sei que esqueceremos já nos primeiros minutos do Ano Novo. Não vou pedir presentes para os necessitados. Não vou pedir comida nas mesas dos mais humildes. Peço, e nisso você pode ajudar, para que incluamos em nossas orações estas pessoas de almas iluminadas que trabalham quietas, quase que escondidas, para que o homem melhore de fato e não só de boca para fora. Rezemos para estas pessoas que fazem de suas vidas um sacerdócio para o bem. Pois, quando elas vencerem, e vencerão, não precisaremos mais contabilizar as tristes estatísticas da ONU em nossa ceia de Natal. Não precisaremos mais contar as crianças mortas de fome enquanto que, com fartura, alimentamos nossos filhos. Não precisaremos mais desejar um feliz Natal, porque todos os nossos dias hão de estar repletos do espírito natalino de amor e de bondade infinita.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-1041377383302007849?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/1041377383302007849/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=1041377383302007849' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/1041377383302007849'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/1041377383302007849'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/12/um-pedido-de-natal.html' title='Um pedido de Natal'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SVEWleiNTMI/AAAAAAAACDc/O9cOalS8ZMk/s72-c/medico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-913980239780591722</id><published>2008-12-10T06:41:00.001-08:00</published><updated>2008-12-10T07:06:44.812-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='A página de Deus na internet'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>A página de Deus na internet</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/ST_VPjIBhmI/AAAAAAAACAc/rkUsm107JRI/s1600-h/Deus_PC.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer; width: 270px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/ST_VPjIBhmI/AAAAAAAACAc/rkUsm107JRI/s320/Deus_PC.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278171751405160034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sou um aficionado pela internet. Pertenço à geração que guarda por máxima aquilo que nem Descartes ousou pensar: “tenho dedos logo existo” (&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;habeo digiti ergo sum&lt;/span&gt;). E por esta paixão incondicional e que toma boa parte de minha vida vigiada lá das alturas, lamento certas lacunas encontradas no mundo virtual. O site de Deus, por exemplo, cara importante, mas que não dá a mínima para a cibernética e suas aplicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é deveras um sujeito ocupado. Com certeza, cuidar do mundo todinho e contar quantos espirros damos por dia deve tomar um tempão. Pensando nisso e a título de cooperação com o mundo do Divino, desenvolvemos projeto de página virtual para o Todo Poderoso, que poderia ter esse nome mesmo, e ser acessada pelo endereço www.todopoderoso.com.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No conteúdo estático da página, colocaríamos uma breve apresentação com links para a Bíblia – cópias dos afrescos de Michelangelo poderiam dar fundo à página. Ainda no conteúdo estático, links do tipo “fale com a Ouvidoria”, no caso, Jesus. “Fale com o Síndico”, no caso, São Pedro. No mesmo clima do “fale com”, poderíamos lincar o Purgatório, o Limbo e o Inferno – este último meio escondido, para evitar competição ou desvios para sites do próprio mundo terreno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lojinha virtual para dar conta dos custos da empreitada também seria bem-vinda. “Livros Sagrados”, “Imagens e Ícones”, “Souverniers das Guerras Santas”, “Água do Rio Jordão” e “Retratos do Paraíso” poderiam ser alguns dos itens colocados à disposição dos navegantes crentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também penso em incluir um link para “Notícias do Céu”, sob responsabilidade de São Lucas ou qualquer outro evangelista, mui dignos assessores de imprensa da Casa Celeste. Assim, teríamos mais uma reserva de mercado para os jornalistas, já que as coisas aqui neste vale de lágrimas andam difíceis pra cachorro. (JFN).&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-913980239780591722?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/913980239780591722/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=913980239780591722' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/913980239780591722'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/913980239780591722'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/12/pgina-de-deus-na-internet.html' title='A página de Deus na internet'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/ST_VPjIBhmI/AAAAAAAACAc/rkUsm107JRI/s72-c/Deus_PC.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-1397705720940949888</id><published>2008-12-09T08:59:00.000-08:00</published><updated>2008-12-10T03:12:32.609-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='economia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crise'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='natal com o franguinho na panela'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Natal com franguinho na panela</title><content type='html'>A rigor, as necessidades do homem para se manter vivo são poucas, mas os recursos (mão-de-obra, terra, capital...) para satisfazê-las são escassos. Este é o dilema da Economia, que procura a melhor forma de alocar recursos produtivos finitos para satisfazer as necessidades humanas infinitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos anos 1960, um psicólogo norte-americano de nome Abraham Harold Maslow (1908–1970) reinventou a roda ao determinar uma escala das necessidades humanas. A escala começava com as fisiológicas – comer, dormir, sexo, etc. –, depois, segurança – a casa, por exemplo –, sociais – clube, grupos de afinidades –, status – sinais exteriores que indiquem nossa posição social, carros, jóias, etc – e por último, a auto-estima – a satisfação plena das necessidades do homem, inclusive intelectuais e espirituais. Digo que Maslow reinventou a roda, porque Voltaire (1694–1778) já havia tratado deste tema no seu Dicionário Filosófico, embora de forma menos detalhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para os capitalistas, a escala de Maslow caiu como uma luva para justificar a crueldade do sistema. Nesta escala ficam claros os “fatores psicológicos” que determinam o consumo dos seres humanos. Quanto mais avançamos na escala, mais sofisticados ficamos, mais artigos supérfluos consumimos. Isto seria o lógico dentro de um cenário favorável, numa economia que nos proporcione renda ou emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nem tudo são flores no jardim da safadeza. Como ainda não descobrimos um método para fazer nascer dinheiro em árvore, é evidente que, em tempos de crise econômica, o consumo dos bens supérfluos, principalmente os que têm alto valor agregado, sofre redução na demanda, porque depende de crédito ao consumidor. E a crise nada mais é do que isso, desconfiança do mercado e pouca oferta de crédito, ou crédito caro, com taxas de juros absurdas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao contrário do que muitos pensam, é de nossa natureza a prudência quando o assunto é o estômago. Pois as nossas necessidades básicas imperam sobre as outras. Resultado, há uma tendência natural de se poupar recursos para tempos que se anunciam para lá de bicudos.   Por isso, fico perplexo ao ver tanta besteira em nossos noticiários econômicos. Meus colegas tratam a crise mundial como o fim do mundo e ficam espantados ao verificarem o que acontece no pequeno comércio de varejo, baseado em compras à vista e que continua esbanjando saúde de vaca premiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sucesso do varejo tem uma razão muito simples: ninguém vai parar de comer, se vestir, constituir família e ter filhos. Bocas têm que ser alimentadas, as pessoas hão de continuar se protegendo com roupas, sapatos e usando remédios.  Portanto, o que está acontecendo é uma redução nos gastos com coisas que podem ficar para depois. O carro, a geladeira novinha, o fogão zero, tudo isso pode ficar para depois. O que não pode ficar para depois é o arroz, o feijão e o pão nosso de cada dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É evidente que, com o desemprego, vamos ter uma redução de consumo dos produtos de subsistência e inevitável queda de preços, pois vamos estar com uma demanda aquém da normal. Em outras épocas isso seria muito preocupante, pois não contávamos com mecanismos sociais que dessem as garantias mínimas ao desempregado. Mas temos hoje o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), Seguro Desemprego e em último caso, o Bolsa Família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos aí, portanto, tempos difíceis a serem vencidos. Mas a despeito do sensacionalismo da imprensa do apocalipse, que na verdade esconde incomensurável ignorância, estamos com o franguinho garantido na panela. O frango deverá contar com um preço de pelo menos 10% abaixo do que no Natal de 2007. E, definitivamente, enquanto tivermos ao menos uma penosa no mundo, ele não acaba!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-1397705720940949888?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/1397705720940949888/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=1397705720940949888' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/1397705720940949888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/1397705720940949888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/12/natal-com-o-franguinho-na-panela.html' title='Natal com franguinho na panela'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-3855344735820620428</id><published>2008-12-02T10:06:00.000-08:00</published><updated>2009-01-22T15:30:57.555-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='emprego'/><title type='text'>Os neo-miseráveis</title><content type='html'>&lt;p class="MsoBodyText" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt; &lt;/p&gt;Creio que boa parte dos miseráveis que habita nosso país é obra única e exclusiva de nossos governos. São miseráveis infelizes gerados pelas nossas ineficazes políticas de distribuição de renda, que sempre privilegiaram minúscula casta social, ou ainda, pela absurda e proposital ignorância imposta ao povo pelo governo – que sempre foi, em qualquer época, mero joguete nas mãos desta casta de privilegiados, os verdadeiros donos do Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois bem, estamos no meio de uma crise econômica mundial e sentimos novamente as forças do atraso tramarem contra a possibilidade de acabarmos definitivamente com a pobreza e conseqüente miséria em que se larga no lombo dos brasileiros. Com a crise, o governo Lula adotou algumas medidas que continuam dando privilégios aos banqueiros e acionistas das fábricas de automóveis. Entretanto, aos trabalhadores que perderam seus empregos, ou estão ameaçados de desemprego, nada foi ofertado. Afinal, o que sempre conta é o lucro crescente, mesmo que obtido com a substituição de mão-de-obra pela máquina que tudo faz e pouco custa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos bancos, este processo de substituição é extremamente visível. Já nas montadoras, fábricas de automóveis, por estarem mais distantes do consumidor, quase não notamos que o mesmo processo está em curso há pelo menos 100 anos. Primeiro no fordismo, com o desenvolvimento da linha de produção e barateamento dos automóveis, depois no toyotismo ao se automatizar o processo produtivo, na mais desumana forma encontrada de exploração de nossos semelhantes, calcada na psicologia que “convence” os operários de que eles também são peças importantes da empresa e por isso devem se dedicar de corpo e alma para o sucesso do empreendimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na realidade, uma lavagem cerebral que desmonta qualquer possibilidade do trabalhador questionar o que está sendo a ele imposto. Ou seja, a base deste discurso sacana se firma no trabalho como um privilégio de poucos e não como um direito de todos. Formamos assim duas classes sociais, a dos miseráveis empregados e a dos miseráveis desempregados. A primeira é tratada pelo capital como uma peça que pode ser substituída a qualquer momento e a segunda, como uma espécie de reserva de votos dos partidos políticos. Partidos que investem na equivocada estratégia da miséria, determinante de uma não menos miserável dependência deste povo para com os programas sociais do governo, como é o caso do Bolsa Família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com crise ou sem crise, fato é que os bancos brasileiros continuam enchendo as burras e demitem todos os dias. Já as montadoras preferem continuar com as burras cheias economizando no gasto com pessoal. O estranho disso tudo é que, mesmo com a garantia de recursos oferecida pelo governo Lula, parte das montadoras de automóveis deu férias coletivas a seus empregados. Ontem, em Curitiba, a Volvo anunciou demissão de 430 operários. E isto parece ser só o início do funcionamento de nossas novas fábricas de miseráveis. Até quando vamos continuar a aplaudir as iniciativas do governo Lula que até agora só beneficiou a quem sempre ganhou? E o povo, aquele que acreditou na esperança vencendo o medo, como é que fica? A resposta parece que não é difícil, pois a miséria para o governo parece ser o nosso estado natural, seja ela física, moral ou até mesmo intelectual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:14;"&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-3855344735820620428?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/3855344735820620428/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=3855344735820620428' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/3855344735820620428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/3855344735820620428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/12/cuidado-seu-emprego-pode-estar-em.html' title='Os neo-miseráveis'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-2561086094312259565</id><published>2008-11-26T08:02:00.000-08:00</published><updated>2009-01-22T15:32:28.712-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Notícia ou espetáculo de horror? TV'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crimes'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Notícia ou espetáculo de horror?</title><content type='html'>&lt;p&gt; &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Ficamos admirados com a capacidade da imprensa em transformar fatos trágicos e de interesse local em grandes dramas nacionais. O processo para que isso aconteça é meio nebuloso, mas sabemos que, no caso da TV, tem um único objetivo, segurar o telespectador em frente ao aparelho de televisão.&lt;br /&gt;Recentemente, tivemos nossos lares invadidos por gente jogada pela janela. Em bom português – copiado aos franceses – este fenômeno chama-se defenestração. Pois bem, o fato em si, explorado pela imprensa, ganhou contornos de drama ao se destacar o método, com poucos questionamentos sobre as verdadeiras causas das mortes. A morte em si já é notícia, o infanticídio é mais ainda e criança jogada pela janela é a dramaticidade com potencial de quebra de recordes de audiência. E assim foi feito, transmissões ao vivo, guerra pelos melhores lugares para os cinegrafistas e fotógrafos, programação normal interrompida para boletins, etc, etc. Notem, que neste ponto o jornalismo já havia acabado. As TVs simplesmente entraram no terreno das hipóteses, das suposições e até mesmo da ficção ao fazer teatro em suas bem produzidas reconstituições.&lt;br /&gt;Outro fato que determinou a dramatização da notícia foi o do seqüestro em Guarulhos (SP), conhecido como caso Eloá. Também tinha uma janela como personagem secundária, mas aí não houve a defenestração. Neste drama, o que contou mesmo foi a tragédia que se anunciava justamente pela janela. O drama anunciado pela janela e de triste desfecho.&lt;br /&gt;Bom, para nossa reflexão, cabe verificar a importância destas notícias em nossas vidas. Ora, no repousar da cabeça no travesseiro veremos isso tudo não nos trouxe nada, ou quase nada mesmo, a não ser a certeza de que o homem não abandonou de todo seus instintos primitivos e o principal deles, matar seus semelhantes, principalmente os objetos de paixão.&lt;br /&gt;Pois bem, aqui cabe mais uma pausa. Paixão, que vem lá do nosso antigo latim, tem o sofrer como seu significado original, por isso dizemos “Paixão de Cristo”, ou seja, o “Sofrimento de Cristo”. Nesses dois casos citados temos claramente crimes cometidos e motivados por este sofrer; passionais como devem ser classificados. Crimes passionais são tão antigos em nossa história que podemos dizer que eles nasceram com o homem. A alegoria de Caim e Abel na Bíblia é um exemplo. Outro vem da Mitologia Greca, com Medéia que mata seus dois filhos por ciúme de Jasão, que a trocou por outra, também morta pela mulher ciumenta.&lt;br /&gt;Ative-me a essas personagens alegóricas e mitológicas porque as julgo exemplos suficientes da loucura movida pela paixão – pelo sofrimento que desatina – e que não é preciso a TV nos fazer lembrar disto durante horários em que nossas crianças estão na sala. E pior, colocando entre as cenas de horror, anúncios de chocolate, carros, jóias e sorteios de brindes.&lt;br /&gt;A realidade já nos é bastante. &lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="TEXT-INDENT: 45pt; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span lang="PT-BR"  style="font-size:14;"&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-2561086094312259565?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/2561086094312259565/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=2561086094312259565' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/2561086094312259565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/2561086094312259565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/11/notcia-ou-espetculo-de-horror.html' title='Notícia ou espetáculo de horror?'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-6024795520042115705</id><published>2008-11-18T04:48:00.000-08:00</published><updated>2010-09-04T12:14:02.404-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Carne de pescoço é o prato do paranaense'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Carne de pescoço é o prato do paranaense</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SSK7CMdXbVI/AAAAAAAAB8U/EzAxYH40miE/s1600-h/barreado.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img alt="" border="0" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5269980160355429714" src="http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SSK7CMdXbVI/AAAAAAAAB8U/EzAxYH40miE/s200/barreado.jpg" style="cursor: pointer; float: left; height: 150px; margin: 0pt 10px 10px 0pt; width: 200px;" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoBodyText" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Li num guia turístico que o prato típico do Paraná é o barreado. Bem feito para nós! Temos com referência de nossa gastronomia um prato que metade dos paranaenses nunca provou. A receita é simples, carne de segunda, fervida em pote de barro até desfiar e acompanhada da preguiça: farinha de mandioca –crua, sem torrar – e banana cozida (um horror!). Isso sem contar o nome “barreado”, feio pra dedéu e que tira o apetite de qualquer um que tenha amor ao estômago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem elegeu este prato como típico desconhece o Paraná, ou está de brincadeira com a gente. Creio que a primeira hipótese é mais provável, é desconhecimento mesmo. Em conversa com meus alunos, professores, colegas jornalistas, fico abismado como as pessoas conhecem muito pouco de nosso estado. Aqui em Curitiba, com poucas exceções, conhece-se apenas o próprio umbigo, que pode se estender de São Paulo às praias de Santa Catarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Norte do Paraná e outras regiões praticamente inexistem, são coisas distantes, que figuram no discurso dos políticos, nos livros de geografia, mas jamais pulsam como deveriam no coração de quem apenas leva o gentílico de paranaense. Somos um estado que, como já disse em outros textos, se apresenta divido em pelo menos três outros. Não são somente os três planaltos e o litoral que nos colocam em distanciamentos. Não são as serras e chapadas que nos separam. São as culturas ímpares que nos tornam paranaenses diferentes. Exemplo disso é quando viajamos para outros lugares do Brasil. As perguntas são: “Você é gaúcho? Catarinense? Mineiro? Paulista? Curitibano?” – Mas jamais, alguém nos pergunta se somos paranaenses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está certo que somos um estado recentíssimo. Algumas de nossas cidades não completaram nem mesmo meio século de existência. Entretanto, há de se examinar a razão da falta de um único fio condutor que nos dê o princípio de uma cultura verdadeiramente paranaense e que possa ser identificado em qualquer lugar. A começar pela comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos em nossa gente tradições que se desencontram e que, de tão preservadas, não se mesclam. Entretanto, como paranaense convicto, creio que é apenas uma questão de tempo para sermos reconhecidos verdadeiramente como nativos deste estado, quer seja pelo sotaque, quer seja pelos costumes. Mas pelo amor de Deus, barreado como nosso prato típico não dá para engolir! &lt;i&gt;&lt;span lang="PT-BR"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-6024795520042115705?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/6024795520042115705/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=6024795520042115705' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/6024795520042115705'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/6024795520042115705'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/11/carne-de-pescoo-o-prato-do-paranaense.html' title='Carne de pescoço é o prato do paranaense'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/SSK7CMdXbVI/AAAAAAAAB8U/EzAxYH40miE/s72-c/barreado.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-5302155577443418387</id><published>2008-04-08T08:32:00.001-07:00</published><updated>2008-07-07T08:22:18.472-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Quando os ipês florescem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_uTgxv1vTI/AAAAAAAAADc/ThqNl6gx77A/s1600-h/ipe3.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_uTgxv1vTI/AAAAAAAAADc/ThqNl6gx77A/s400/ipe3.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186901587166346546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Foi exatamente no dia em que os ipês floresceram. Lembro-me, doutor, que as ruas estavam ladeadas por colunas amarelas e as pessoas nem se davam conta – quanta gente abestada, meu Deus! Creio que para boa parte das gentes, as paisagens não passam de pano de fundo para continuidade mecânica intercalada no intervalo que vai do nascer ao morrer. Entre um ipê e outro ipê, entre um passo e outro passo, ignoramos o relógio natural a marcar brevidades.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdoe-me a ansiedade, mas destas coisas que lhe digo e me custam memória, assustadora foi a que veio. De repente aquela vontade de caminhar. Enforcar o trabalho. Ignorar agendas. Não pensar em nada além de minha própria vontade de caminhar.   Joguei o telefone celular fora. Desci a rua de casa, parei um pouco na banca de jornal e pela primeira vez, em anos, não tive interesse nas manchetes. Continuei a andar. Respirava fundo: brincava de guardar o ar nos pulmões pelo máximo tempo possível. Coisa de criança, sei disso, doutor. Mas que prazer me fazer criança assim, respirando apenas. Certo, fiquei tonto. Mas não liguei. Continuei caminho e guardando ar.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perambulei por horas. Dei conta disso pela quantidade de suor em minha camisa. Resolvi tirá-la e descalçar os sapatos.   Assim, sem querer chegar, cheguei a um bairro no qual nunca antes estivera. As pessoas eram-me estranhas e nas ruas já não havia um único amarelo dos ipês. Aliás, eu não via por ali árvore alguma, verde algum. Apenas gente e concreto. Fiquei um pouco preocupado. Em que raio de lugar, afinal, estaria? Mas, resolvi continuar, meus pés me obrigavam a isso. As preocupações se dissipam no andar depressa e aparentemente sem rumo. Tenho essa crença, sim senhor.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao longe avistei uma longa fila. Todos aguardavam entrar num prédio velho e acho que abandonado. Perguntei ao último da fila a razão daquilo. O homem, de rosto cúbico e olhos sem vida, nada disse. Ignorou-me. E a mesma coisa se repetiu com mais três ou quatro seres geométricos aos quais repeti a pergunta. Nada.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O senhor sabe, doutor, a curiosidade é a pá do coveiro e move o mundo. Eram centenas de pessoas sectárias da ordem e silêncio a fitar nucas. Seguíamos rápido, logo entrei no prédio. O contraste da luminosidade me deixou cego por alguns segundos. Na rua, há pouco, o sol brilhava. Meio-dia talvez? Demorei um pouco para me acostumar com a penumbra e, instintivamente, segui a nuca da pessoa que estava na minha frente.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O corredor marrom-cinza fazia-se estreito. O ar era pesado e viciado. Um cheiro de mofo ardia nas narinas. Ninguém falava nada. As pessoas fitavam nucas como se estivessem olhando para uma parede de chumbo. Emoção nenhuma. Transe puro.     O corredor ficava cada vez mais escuro. Estreito. Mas logo chegamos a uma sala enorme. Sem janelas. De contato com o mundo exterior somente aquele túnel mofento pelo qual havíamos chegado ali. Mofo. Calor. Centenas de pessoas esperando. Esperei. Mesmo porque não dava para voltar. Esperei.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de algumas horas, minutos, sei lá - pois os escuros guardam o estranho costume de esconder o tempo -, uma moça puxou-me pelo braço. Esforcei-me para ver o seu rosto. Parecia-me familiar. Morena, talvez. Bonita, talvez. Talvez a minha corretora de seguro. Senhorita pudica por inteiro. Ou a vagabunda do puteiro Real. Sei não.   Dei-lhe o braço e fui guiado para o canto oposto ao que estávamos. Entramos depois numa espécie de porão estreito. O cheiro de mofo aumentava junto com a escuridão. Ela agora andava abraçada a minha cintura e me direcionava pelo labirinto. A certa altura paramos. Num tempo, que de tão breve não se conta e que de tão eterno não se esquece, ela beijou-me. Tirou a roupa. Abraçou-me. Desapareceu.     Mudo e tonto, levei algum tempo para me recuperar do susto e do prazer inesperado. Refeito, tornei-me desespero. Precisava sair dali. Comecei a correr pelos escuros até encontrar uma portinhola. Ganhei a rua e vi que não era a mesma rua pela qual havia entrado no prédio. Olhei para o Sol: cego, respirei em alívio e tornei a caminhar sem rumo.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ano, doutor, dois passados após esses acontecimentos, os ipês floresceram antes da época. Ainda estamos no inverno e as ruas são escorregadias com tantas flores espalhadas pelo vento.     Não me julgue leso somente porque uma vez por semana entro na fila do prédio do corredor mofado. Espero. Há de se encontrar prazer nisso. É a espera que nos faz vivos.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem da cara cúbica é meu amigo. Pelo menos assim eu acho, pois no seu olhar, sempre a guardar a nuca da frente, brilhou a vontade de um dia conversarmos.  A moça?  Sim, doutor, nunca mais encontrei-me com aquela moça que talvez fosse morena.  Encontro nesses dias outras mulheres. Todas parecidas com alguém que conheci em minha vida. Mãe, minhas irmãs, colegas de escola, antigas namoradas, freiras do colégio... Entretanto, não são quem imagino que sejam. Porém, na dúvida, jamais permito que elas repitam o beijo, ou ainda se dispam, como fez aquela moça que talvez fosse pudica ou vagabunda. Não sou dado a incestos, sacrilégios. A fidelidade faz parte do meu caráter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mofo já não me incomoda. Treinei muito para não respirar durante a travessia pelos corredores do prédio. Passo tempo sem inalar um único grama de ar.   Doutor, sinto que os ipês aprovam esta dose extra de oxigênio que lhes ofereço. Agradecidos, eles me dão em troca flores fora de época e, em exuberâncias, me fazem menos penoso este caminho quiçá finado em longa espera.             &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:18;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-5302155577443418387?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/5302155577443418387/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=5302155577443418387' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/5302155577443418387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/5302155577443418387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/04/os-ips-amarelos.html' title='Quando os ipês florescem'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_uTgxv1vTI/AAAAAAAAADc/ThqNl6gx77A/s72-c/ipe3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-8978455799307795949</id><published>2008-04-03T10:15:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T12:47:43.295-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Por quem rezam as mulheres</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_aX2Rv1vPI/AAAAAAAAAC8/Nimur8kR14U/s1600-h/terco.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_aX2Rv1vPI/AAAAAAAAAC8/Nimur8kR14U/s320/terco.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5185498979696491762" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div  style="text-align: justify;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ela não era nenhuma capitulina das páginas de Machado de Assis, mas tinha os olhos de ressaca, “oblíquos e dissimulados”. Trazia nas mãos um ramalhete de flores e duas velas. Vestia-se sobriamente com um casaquinho bege e saia no mesmo tom. No rosto, bonito e bem feito, o retrato de todas as ausências. Apressada, entrou na igreja sem olhar para os lados. Não sei por que cargas d’água resolvi acompanhá-la. Há anos que eu não entrava numa igreja. Ando meio desacreditado nas coisas do céu. Na realidade, de há muito as igrejas se tornaram em minha retina esplêndidos monumentos arquitetônicos. Algo belo de se observar e que quebra a mesmice da cidade. Às vezes, gosto de ver seus portais enormes, mas minhas pernas não se sentem com vontade de caminhar até eles; meus joelhos doem e dobrá-los diante de altares é uma tarefa mais do que penosa.&lt;br /&gt;  Mas mesmo assim, gosto de erguer os olhos para os céus e admirar os campanários das igrejas. Raramente ouço os sinos dobrarem; mas é só isso: um som metálico que me chama para algo esquecido, para o tempo da inocência, quando entre uma brincadeira e outra, acreditava na bondade dos homens e em seus deuses justos e infalíveis.&lt;br /&gt;  Mas eis o que eu queria dizer: cruzei o portal da Igreja Católica com os olhos fixos naquela mulher misteriosa. Era nova, de cabelos claros e lisos, devia contar 35 anos no máximo, uma balzaquiana perfeita. Ela seguiu pelo corredor central rumo ao altar. Fiz hora na entrada da igreja, não queria demonstrar que a seguia. Tentei o sinal da cruz: “Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, e fiquei com uma dúvida danada. Não sabia mais qual lado do peito devia tocar primeiro: o esquerdo ou o direito? Talvez por ser canhoto, tenha esquecido este detalhe das intermináveis aulas de catecismo dadas por uma freira no Colégio Santo Inácio. A freira era boazinha, mas nos apavorava com suas histórias das danações no Inferno e Purgatório. Tínhamos apenas sete anos e rezávamos muito antevendo os pesadelos e a cama molhada de xixi.&lt;br /&gt;  Com o canto do olho tentei alcançar a moça. Ela estava ajoelhada perto de um altar que ficava na lateral da igreja. Depositou as flores aos pés de Santa Rita de Cássia, acendeu as velas e abandonou-se em orações. Deveria ser alguma causa impossível, julguei. Santa Rita de Cássia tem fama de resolver qualquer coisa, principalmente partos e doenças. Será que ela estaria doente? Não, não parecia. Talvez, alguém da família? Vai saber... Fiquei ali parado, olhava para a moça e para a água benta. Havia esquecido mais este detalhe: o sinal da cruz é reforçado em seu significado quando feito com água benta. Tentava resolver o dilema: direita ou esquerda, com água ou sem água benta?&lt;br /&gt;  A moça do olhar oblíquo se levantou. Procurei me distrair na frente de São José, ele não ligaria se eu fingisse uma oração. Talvez uma que reforçasse a reza da moça, que a ajudasse em seus pedidos. Pensei em algo para iniciar a tarefa. Começar pelo Pai Nosso seria uma boa. Reza pronta, que não exige esforços de composição. Não fiz nem uma coisa nem outra. Havia esquecido o Pai Nosso e meu coração não estava inspirado para inventar uma reza nova.&lt;br /&gt;  A moça passou por mim. Seus olhos estavam cheios d’água. Lágrimas bentas, por certo. Por quem chorava? Nunca saberia. Ela despediu-se da igreja e seus santos com o sinal da cruz. Fiquei onde estava matutando: direita ou esquerda; vem a nós o Vosso reino (e depois, que vem depois?)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;h1&gt;&lt;br /&gt;&lt;/h1&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-8978455799307795949?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/8978455799307795949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=8978455799307795949' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/8978455799307795949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/8978455799307795949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2008/04/por-quem-rezam-as-mulheres.html' title='Por quem rezam as mulheres'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_aX2Rv1vPI/AAAAAAAAAC8/Nimur8kR14U/s72-c/terco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-5324604989636251515</id><published>2007-07-13T08:00:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T12:47:43.295-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Elias, o abduzido</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_0WeYkShEI/AAAAAAAAADw/s3EJtu7xi5A/s1600-h/disco1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 0pt 10px 10px; float: right; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_0WeYkShEI/AAAAAAAAADw/s3EJtu7xi5A/s320/disco1.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5187327057047225410" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 54pt;font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;A vida normal – aquela com horários definidos, com hora para respirar, com hora para cuspir, hora de rir e beijar a patroa – sempre agradou a Elias. Ele era um cara de hábitos e que se dava ao luxo de apenas afagar duas paixões: o Corinthians, time do coração e uma cervejinha, tomada aos golinhos, no sábado à tarde no bar perto de casa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas os céus conspiram contra a normalidade. A mesmice dá um tremendo tédio nos deuses e por isso eles são mal humorados. Num dia qualquer os deuses escolhem suas vítimas, de preferência aquelas que, para serem consideradas mortas, só faltam deitar. Pois bem, nosso Elias se apresentava como o panaca perfeito para o tédio divino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi numa sexta-feira depois do expediente. Estava calor. A turma da repartição resolveu tomar umas e outras. Elias, nada afeito à quebra de rotina, relutou, declinou do convite, mas ao sentir o olhar severo de seu chefe imediato, cedeu. Antes de sair, avisou a mulher por telefone. Deu a notícia e prosseguiu na conversa apenas com monossílabos “sim” entremeados por “querida”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No bar, à medida que Elias esvaziava o seu copo de cerveja, o mundo ficava mais descontraído, as pessoas, e ele mesmo, mais alegres. Logo, D. Terezinha, secretária muito solicita e que trabalhava há anos ao seu lado, puxou conversa. Disse que havia se separado. Estava só, precisava se abrir com alguém. Papo vai, papo vem; copo vai, copo vem...  Elias acordou em um lugar estranho. Não reconhecia o teto, não reconhecia os lustres. E a cabeça? Que dor terrível. Aos poucos foi se lembrando da noite anterior. Susto. Olhou para o lado e viu que D. Terezinha dormia. De súbito, levantou-se, apanhou suas roupas, o sapato e foi para a sala. Vestiu-se rapidamente. Esquecera a dor de cabeça. Pensava apenas em como se explicaria para a esposa. Dormira uma noite fora. Isso nunca havia ocorrido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já na rua, apanhou um táxi. No caminho pensou em mil desculpas. A viagem demoraria, estava num bairro afastado de sua casa. Como chegara ali? Enquanto pensava, o motorista puxava conversa:  “Tive um amigo caminhoneiro, acho que em 1980. Sabe que ele foi abduzido, seqüestrado por um disco voador?”  “Não”, respondeu Elias, sem dar muita bola para o motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mas o cara era insistente:  “Agora este meu amigo é celebridade, veja esta revista aí em cima do banco”, insistiu o taxista.  Elias apanhou a revista com as mãos trêmulas, um gesto educado apenas. Revista de Ufologia que explicava a história do caminhoneiro, que também se chamava Elias:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Elias Seixas de Mattos, carioca, era caminhoneiro em 1980, quando teria vivenciado uma experiência inexplicável. Seu relato, junto ao de outros dois amigos, entrou para a história da Ufologia brasileira pela riqueza de detalhes com que descreveu as situações pelas quais passou à pesquisadora Irene Granchi e ao hipnólogo Silvio Lago.   No dia 25 de setembro de 1980, Elias e os acompanhantes na boléia do caminhão, seu primo Alberto Seixas Vieira e o amigo Guaraci de Souza, voltavam de Goiás, onde tinham ido deixar uma carga. (...) A partir daí, nenhum deles lembrava-se da seqüência de acontecimentos muito bem, exceto a sonolência com que retornaram à cabine do caminhão e o fato de chegarem à próxima parada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Nosso Elias chegou em casa e contou a mesma história para justificar sua ausência. Tudo daria certo se sua mulher não tivesse lido a mesma revista e não o esperasse com um cabo de vassoura.  Elias ficou algum tempo no hospital. Com as piadinhas dos amigos, passou a acreditar na própria história de homem abduzido. Perdeu a mulher. D. Terezinha nem lhe deu bola mais. Porém estava contente e seus dias tornaram-se uma longa espera por mais uma abdução.&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 54pt;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:16;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-5324604989636251515?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/5324604989636251515/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=5324604989636251515' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/5324604989636251515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/5324604989636251515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2007/07/elias-o-abduzido.html' title='Elias, o abduzido'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/R_0WeYkShEI/AAAAAAAAADw/s3EJtu7xi5A/s72-c/disco1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-4522576434470910916</id><published>2007-07-02T12:35:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T12:47:43.295-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>“BATE QUE EU GOSTO”</title><content type='html'>&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;b style=""&gt;&lt;i style=""&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 81pt;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;Chegou e foi logo se sentando. Com o paletó todo amarrotado, cabelo imitando ninho de passarinho, gravata frouxa; seu rosto tinha as marcas do mais puro desespero. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você já bateu em mulher?”, perguntou-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz que não escutei.  Frederico colocou a pasta de executivo na cadeira vazia ao meu lado e esfregou os punhos nos olhos para se livrar do suor que corria em bicas de sua testa alargada por começante calva. Procurava inutilmente ignorar a abrupta pergunta do meu amigo aflito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Garçom, mais uma bem gelada. Mais um copo também.”  Frederico aproxima-se mais de mim. Vi nos seus olhos ojeriza à si ou a alguma coisa que lhe era muito cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você já bateu em mulher?”  Diacho, o garçom atendia um freguês numa mesa distante. Levantei o braço, assoviei: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Essa cerveja vem ou não vem? Traga também um cinzeiro e mais um copo.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já está saindo”, gritou o garçom que não estava vencendo o serviço.   Realmente quente. Talvez o dia mais quente do ano. Finalzinho de tarde, a cidade inteira resolveu tomar cerveja e se refrescar ao ar livre.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você viu que jogaço ontem. Este ano não tem para o Mengo, para o Bota, pra ninguém. Quatro a zero”, provoquei Frederico, que me encarava esperando a maldita resposta para a repetida e inexplicável pergunta: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você já bateu em mulher? Na sua mulher?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendi um cigarro:  “Não. Nunca bati em mulher, porra! Que pergunta, caramba!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O garçom serviu a cerveja e colocou o cinzeiro na mesa: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mais alguma coisa?" &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frederico olhava-me fixo nos olhos e fez um sinal com a mão indicando que não queria mais nada do bar. Queria uma resposta e só. Ele tremia ao segurar o copo e de um trago, fez sumir toda a cerveja. Vendo tamanha sede, enchi novamente o copo dele.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ajude-me, cara. Estou ficando maluco!”, implorou Frederico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você não vai à missa todo domingo. Procure o padre. Eu não sou bom em dar conselhos. Tenho a vida torta com a mulherada. Você sabe: não sou bom exemplo para nada.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Padre? O que um padre pode saber de mulher?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nem lhe digo. Alguns sabem até demais. Ultimamente, alguns se dedicam a crianças e adolescentes. Tarados e beatos! Que nojo!..." &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você pode me ajudar, eu sei.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mudando de coelho pra pato: não sendo conversa de corno, coisa que eu sei que você não é, pois boto a mão no fogo pela Ângela, pode desembuchar, então.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Pois é a Ângela. Estou com ela há dez anos e me convenci de que nunca a conheci de fato”, disse Frederico, a procurar cigarros nos bolsos. “Dá um dos seus. Os meus acabaram.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-lhe um cigarro e o isqueiro. De nervoso que estava, Frederico quase se queimou com a chama do isqueiro: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vivi todo esse tempo com uma estranha. Semana passada fomos à festa dos Castro. Você também estava lá, lembra?”, perguntou-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Se lembro, festa chata pra burro! Nunca vi tanto velho junto. Parecia baile da terceira idade. Os fisioterapeutas devem ter ganhado uma nota no dia seguinte. Tinha um lá que não agüentava nem com ele mesmo e foi dançar. Não tenho nada contra velho, mas alguns têm que saber a hora de pendurar as chuteiras. Patético. Mas o Uísque era bom. Nem deu dor de cabeça.”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cerveja havia acabado novamente. O garçom. Como sempre estava distante, levantei a garrafa vazia, assoviei novamente para ele e vi que o sujeito não gostou de ser chamado como um cão vadio.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Saímos da festa ainda cedo”, lembrou Frederico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Eu também saí cedo. Uma velhinha — que por sinal acompanhava o velhinho dançarino e vestia-se como uma mocinha — começou a dar mole pra mim. Ela devia ter a idade da minha avó! Imagina como ficou a minha auto-estima. Não suporto mulher assanhada, ainda mais com a cara de minha vó.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frederico nem se deu conta de minha história. Ele queria solucionar a sua, para o resto se fazia surdo. Não tive alternativa, desisti das evasivas, resolvi escutá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ângela é que insistiu para que saíssemos cedo. Bebi o de sempre, nada além da conta. Mas Ângela exagerou. Foi a primeira vez em que a vi bêbada. Começou a falar mole. Não tem nada mais irritante do que uma mulher bêbada.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Mulher bêbada e velha assanhada!”, completei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“No carro, minha mulher estava irreconhecível. Queria porque queria ir ao motel.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E você achou ruim. Está certo, ir com a própria mulher ao motel não tem muita graça. É algo assim como beijar a irmã, mas isso quebra a monotonia. Isso quebra. Ah, se quebra!”  Dei um tapinha nas costas de Frederico: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Grande Frederico, garanto que o desempenho foi nota dez”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não brinque. É sério. Ela queria porque queria. Tive que levá-la. Você me conhece. Nunca fui num lugar desses. Ela preparou tudo: o endereço do lugar — acho que ligou antes, até — e uma sacola com suas coisas. Tudo! Deus me livre, mas tenho quase a certeza de que se eu não fosse, ela sairia com qualquer um que quisesse ir ao motel. Dá mais um cigarro.”  Dei a ele mais um cigarro. Frederico tragou a fumaça e ficou por um longo tempo a observá-la a desaparecer no ar: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Confesso que até hoje não entendi nada daquilo. O que Ângela realmente queria? Sei que todo mundo me acha pão duro. Mentira, quando o assunto é minha família sou mão aberta pra cachorro. Mas, para mim, transar em casa ou em qualquer outro lugar dá na mesma. E em casa não é só mais barato, é cômodo, prático mesmo; e depois, é só virar de lado e dormir.”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não precisa levantar pegar o carro, enfrentar o caminho com sono. O governo deveria fazer uma campanha de trânsito assim do tipo: transe em casa e evite acidentes”, observei, tentando aliviar o ambiente.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Chegamos naquele quarto decorado com um gosto para lá de duvidoso e não quis entrar. Ângela teve que me arrastar. Nem fechou a porta. Estava realmente para o crime. Lembro-me de tudo. Ela perguntou se eu ainda a amava. Cobrou-me sua insatisfação sexual dizendo que há mais de dois meses não transávamos. Mentira, uma semana antes a gente tinha transado. Mas ela disse que não valia, pois eu fazia por obrigação, esperando terminar para dormir ou ver TV.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À medida que meu amigo desfiava seu rosário parecia que se acalmava. Fez uma pausa para mais um copo de cerveja e continuou:  “Ângela deixou cair as alças do vestido e ficou me mostrando os peitos e dizia com muita raiva: — Pega. Veja, sou mulher. A sua mulher. Esqueceu?”. Gritei com ela: você está bêbada! Ângela começa a chorar e a gritar. Ficou doida e começou a quebrar as taças e garrafas do bar: — Bêbada? Eu estou puta. Puta com esta vidinha besta que você me obriga a levar. Preciso de prazer. Lembra o que é prazer? — que horror, não posso nem lembrar. Ângela soluçava e chorava...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Realmente um horror; mas a história está boa”, disse a Frederico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você sempre debochando... O horror vem agora. Eu perdi a cabeça e dei um tapa no rosto de minha mulher. Tão forte que se não fosse ela se agarrar nos móveis tinha se estatelado no chão.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; “Isso é ruim, bater em mulher dá cana!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E não sei disso?! Nunca bati em ninguém, nem mesmo num cachorro. Mas perdi a cabeça. Mas pensa que ela achou ruim. Ângela segurou meu colarinho e começou a gritar de novo: — Isso Frederico, bata mais! — Fiquei bobo com aquilo tudo: — Bata mais, seu cachorro! — Fiquei louco mesmo, dei mais um tapa no rosto dela, com tanta força que ela foi ao chão. Pensa que ela deu-se por vencida: — Me bata seu cachorrão! Me bata mais! — Dei nela para valer, bati no corpo, mais na bunda do que em qualquer outro lugar. Fizemos amor ali mesmo no chão do quarto, nem cheguei a tirar a roupa direito. E pela primeira vez, em dez anos, Ângela não pediu para apagar a luz.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ri da ingenuidade de Frederico:  “Porra, cara, é só isso?! Você devia estar contente. Está preocupado à toa. Aliás, não vejo razão alguma para você estar assim, desse jeito. Fantasia de mulher. Tudo vai ficar bem!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bem nada. Foi nesse dia que começou a minha desgraça.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que desgraça, rapaz?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Desculpe-me, mas me dá mais um cigarro. Os meus acabaram e aqui não tem para vender.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei-lhe a carteira inteira:  “Toma, fume quanto quiser, tenho mais um maço no carro.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Obrigado. Desde aquela noite no motel, depois da surra, a minha mulher anda radiante. Comprou roupas novas, Está fazendo regime para emagrecer. Pega filme pornográfico na locadora para assistir e mandou as crianças para passarem as férias na casa da avó.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“E você não está gostando?”  “Como posso gostar? Você sabe da minha educação. Fui educado na sacristia, sou um homem direito. Um homem honesto e de fé. Ângela está em pecado ao agir desta maneira. Sexo para nós, pelo menos para mim, sempre foi pecado. Ângela também foi educada assim. Era linda, nunca tinha sido tocada, casou virgem, tenho certeza. Não sei o que loucura deu nela. E o pior você ainda não sabe...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frederico fez suspense e depois de mais um longo gole de cerveja revelou a causa de seu tormento:    “Não consigo mais dormir com minha mulher. Peguei um certo receio dela depois daquela noite. Estou dormindo na sala.”  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Que bobagem!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sem querer ofender meu amigo, pode ser bobagem para você que está acostumado com essas mulheres mais saidinhas. Não lhe culpo, você é divorciado, pode se dar a esses luxos. Mas Ângela é mãe dos meus filhos. Olha, já tentei o diabo para esquecer de tudo e me aproximar dela novamente, mas não consigo. Aquela não é Ângela, é uma vagabunda qualquer. É o demônio!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficamos por mais algum tempo tomando cerveja. De súbito, Frederico levantou-se e despediu-se.       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma semana depois, quando eu estava dando duro num projeto de um novo prédio que estava com as obras para começar, Ângela apareceu no escritório, queria falar comigo. Fiquei curioso. Ora, o que ela poderia querer ali? Talvez, ao mudar o estilo de vida, também pensasse em mudar de casa. Chamei a secretária pelo interfone:   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Nanci, mande a senhora Ângela entrar...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando vi a mulher do meu amigo surgir na porta quase despenquei da cadeira. Estava com os cabelos loiros soltos, numa saia que não era só curta, era mínima, expondo suas pernas firmes e bem feitas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Ângela, que surpresa. Vai querer construir uma nova casa? Para você e Frederico faço o projeto de graça!” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Infelizmente, não?”, disse Ângela, começando a chorar.  Arrumei uma cadeira e dei-lhe um lenço de papel. Ela soluçava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O que aconteceu, afinal, por que o choro?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ângela chorava ainda mais. E foi aí que me dei conta da minha canalhice. Ela, que estava sentada numa cadeira bem na minha frente com as pernas cruzadas, descruzou as pernas para alcançar o novo lenço e disse em desespero:  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Frederico sumiu...” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disse nada por alguns instantes, apenas pensei: — Frederico tinha razão. Isso é uma tentação do demônio. Que pernas, que pernão. Não. NÃO! Deixa disso! O Frederico é gente boa, tem filhos, não vá fazer besteiras... Seu safado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Faz uma semana. Na sexta-feira, ele chegou em casa muito nervoso, pegou uns trocados que eu guardo numa caixinha e disse que estava saindo para comprar cigarros.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Na sexta-feira passada?”, perguntei, ao tentar fixar os olhos apenas no rosto de Ângela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sim e é por isso que estou aqui. Disseram-me que vocês estavam juntos no bar tomando cerveja.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Horário de Verão. Sabe como é, dia quente, temos que aproveitar.” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vocês estavam juntos?”  “Sim, tomamos algumas cervejas.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E você não sabe para onde o meu marido foi?” &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não. Ele tomou cerveja, conversamos um pouco e eu pensei que ele fosse depois para casa.”          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;III          &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje está fazendo um ano que Frederico sumiu. Parece que foi ontem que estávamos sentados aqui nesta mesa de bar. Esta tarde está tão quente quanto aquela. Procuramos por ele até em necrotérios e asilos para alienados. O cara tomou chá de sumiço mesmo. Vai ver está fora do país, ou morreu como indigente. Quem sabe? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ângela acaba de sentar-se na mesma cadeira em que estava Frederico antes de sumir. Está alegre. Gosta de beijar. Fico com vergonha. Todo mundo olha. Também um mulherão desses com um cara mal acabado como eu. Devem pensar que tenho muita grana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passou o dia todo fazendo compras, está ansiosa para ir para casa e diz bem baixinho no meu ouvido:  “Amorzinho, tenho umas surpresinhas para mais tarde. Eu achei umas algemas e um chicotinho no sex shop e um baby-doll que forma um conjuntinho lindo com o sutiã e a calcinha. Tudo rendado. Tem uma máscara também, você não nem vai acreditar!”  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 81pt;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:78%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-4522576434470910916?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/4522576434470910916/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=4522576434470910916' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/4522576434470910916'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/4522576434470910916'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2007/07/bate-que-eu-gosto.html' title='“BATE QUE EU GOSTO”'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-6935131578521706096</id><published>2007-07-02T07:24:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T12:47:43.296-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Meu amigo Contribuinte do IPTU:</title><content type='html'>&lt;span style="font-size:14;"&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;Aí meu amigo, você que está sem grana para acertar o IPTU, a Prefeitura de Curitiba lhe dá um presente de Natal bem legal. Você vai para a dívida ativa se não pagar tudo ainda este ano. Então, esqueça o peru, a leitoa e até mesmo a cervejinha. Pega a patroa, os guris e se manda para a casa de sua sogra — a véia não vai gostar, aliás vai fazer de tudo para que você se mande. A lazarenta vai lhe servir cerveja quente, botar vassoura atrás da porta, vai brigar com a criançada e falar para a filha coisas do tipo: “ah, se você tivesse escolhido fulano para casar, ele agora é assessor de um político importante, anda com uma mala cheia de grana para lá e para cá, e até comprou cuecas novinhas e maiores — amarelas, para o Ano Novo!” – Tem nada não, você é honesto, e isto basta, tira o carnê do IPTU do bolso e pensa que vai valer a pena o sacrifício. Afinal, é com o seu dinheiro que a Prefeitura vai pagar o mensalinho das associações de moradores. É muita gente, cada buraco da cidade tem uma associação dessas, com dirigentes honestíssimos e que não vão trabalhar em campanha política nenhuma deste ano. Aliás, este povo depois do mensalinho nem está reclamando de mais nada da Prefeitura. Para que, se as ruas e calçadas estão em ordem, o posto de saúde está com médicos sobrando, sem filas, uma beleza. Sem seus dinheiro, não há o Festival de Teatro, aquele que você nunca recebeu um convite para ir e outras contribuições para a sua cultura financiadas pela Fucucu.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veja que a Prefeitura pensa em você. Em vez de você ir comprar brinquedos para a gurizada, hoje ainda dá tempo de ir ao banco e pagar o IPTU, não precisa nem pisar na Prefeitura, você mora numa rua sem asfalto, pode chover e você vai emporcalhar o Palácio 29 de Março, vai ficar feio —  pode não! —  mais dinheiro público gasto com despesas de limpeza.  Mas antes, vá na casa de seu vizinho e peça para usar a internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O acesso é discado, demora, eu sei. Mas lembre-se, você ainda não tem computador em casa, muito menos telefone, está sem emprego (engraçado, o prefeito Beto Richa, há um ano, falou que daria emprego para todo mundo, vai ver que esqueceu – deixa para lá, Contribuinte, esse povo esquece fácil as coisas). Fica para o ano que vem.      Na internet você vai ver quão bondosa é administração Richa. Lá eles até lhe chamam pelo seu verdadeiro nome: Contribuinte, bacana, né, você é popular! Aproveite sua fama, você tem tempo de sobra para perder, entre na página e navegue para ver mais uma obra feita com seu dinheiro e em nome de quem? De você, Contribuinte. Mas antes dê uma olhada nas fotos do prefeito, lembra dele, o cara está em todas. Não, não. Você não errou de lugar, aquela não é a página pessoal e particular do Beto Richa, é a página da Prefeitura, aquela que você paga. Tem nada não, o Ministério Público anda de férias, a Justiça também. Que é que tem? Vai reclamar para que, se o prefeito nem tem oposição na Câmara.      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas continue a navegar. Pois navegar é preciso.A página da Prefeitura é simples, igual seu primo Zelão, que não estudou, mas decora algumas citações para se fazer de importante, não é à toa que o pessoal no bairro apelidou Zelão de “Sem-Conteúdo”. Igualzinho a página feita pelo Instituto Curitiba de Informática (ICI) para a Prefeitura. E olha que o ICI ganha uma fortuna para fazer aquela porcaria.      Mas eis que você se sente realmente gente, e encontra de novo seu nome — CONTRIBUINTE:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A Secretaria Municipal de Finanças lembra que eventuais — veja que legal, falta de grana tem este nome agora, “eventual” —  atrasos de pagamento do IPTU de 2005 devem ser corrigidos —  pagar também tem outro nome: “corrigido”! —  até o final do ano. O pagamento das parcelas em atraso deve ser feito até o último dia útil dos bancos. Os débitos deste exercício que ficarem pendentes passarão, automaticamente, para a dívida ativa no dia 1º de janeiro de 2006. — Viu como eles são gente boa, não vai ser a administração Richa que vai lhe botar na DÍVIDA ATIVA, é esse tal de “Automaticamente”, sujeitinho imprestável! —     O contribuinte que parcelou o imposto e tiver o carnê pode dirigir-se diretamente às agências bancárias. O débito é corrigido e pode ser quitado na hora. O documento para pagamento pode ser obtido também pela internet. este caso, o contribuinte deve acessar o site da prefeitura (www.curitiba.pr.gov.br) e, em seguida,a página de Finanças. No lado esquerdo página clicar em IPTU 2006 e, depois, em “emissão do IPTU”. Em seguida, deve preencher o espaço com o número da indicação fiscal ou inscrição imobiliária e clicar em DAM. A última etapa é imprimir o documento. De posse da DAM, pode pagar diretamente no banco”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que fácil! Imprima logo, apesar da ameaça, a cidade não pode parar Contribuinte amigo!&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:100%;"  &gt;&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-6935131578521706096?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/6935131578521706096/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=6935131578521706096' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/6935131578521706096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/6935131578521706096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2007/07/meu-amigo-contribuinte-do-iptu.html' title='Meu amigo Contribuinte do IPTU:'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33289621.post-115644150354652806</id><published>2006-08-24T10:35:00.000-07:00</published><updated>2008-06-18T12:47:43.296-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='josé fernando nandé'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='escritor brasileiro'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='curitiba'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='paraná'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='crônicas'/><title type='text'>Casamento hoje, só se for milagre</title><content type='html'>Dia 13 de junho acontecem em quase todo o Brasil e em Portugal grandes festas dedicadas a Santo Antônio de Pádua, que também poderia ser chamado de Santo Antônio de “Lisboa”, já que na capital portuguesa ele nasceu e iniciou seus estudos, na virada do século 12 para o 13. Uma questão menor, mas que provoca muita divergência nos círculos carolas. Ao nosso ver, de um homem, o que vale mesmo é como ele viveu e dedicou sua vida aos seus semelhantes, o nascimento e a morte são apenas marcos que geralmente escondem outros interesses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dedico aqui algumas linhas ao “santo dos santos” da Igreja Católica porque o tempo é próprio e em razão de uma faixa enorme que se vê em frente a uma igreja franciscana no centro de Curitiba. A faixa chama para a festa com um tal “bolo de Santo Antônio” e uma missa com a pregação de um padre que não gravei o nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao passar pelo local, notei grande interesse do povo pela festa, principalmente por parte das mulheres. Novamente, fiz descomunal esforço para lembrar das minhas aulas de catecismo no Colégio Santo Inácio, em Maringá. Um dia a freira que nos instruía mostrou-nos um quadro do Santo na capela. Fernando – esse era o nome de batismo dele – segurava um menino no colo e numa das mãos um pedaço de pão, ou pão inteiro, não me lembro bem. Nada naquele quadro relacionava Santo Antônio com casamentos ou entidade sobrenatural que se deve evocar quando se perde uma chave ou qualquer porcaria sem valor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, Santo Antônio tem fama de casamenteiro e achador de objetos perdidos. Coisas perdidas e casamentos realmente vão bem quando juntos. Por certo, muitas mulheres e homens procuram em suas rezas dirigidas ao Santo um casamento. Mas creio, que antes mesmo do próprio matrimônio, essas pessoas procuram parte de suas almas perdidas num companheiro ou companheira, ausente ou ainda inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos, pois, o mais lusitano dos santos relacionado ao fim da solidão e da saudade que sempre marcaram a alma portuguesa. Explico-me. Nossa poesia, de Camões a Fernando Pessoa, é repleta desses sentimentos. É natural do espírito lusitano o deixar, o abandonar, ou ser deixado ou abandonado. Não é à toa que o casamento em nossa cultura está relacionado com milagres, ou causas impossíveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em “Mar Português”, do poeta Fernando Pessoa, encontramos os seguintes versos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Ó mar salgado, quanto do teu sal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São lágrimas de Portugal!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por te cruzarmos, quantas mães choraram,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos filhos em vão rezaram!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas noivas ficaram por casar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para que fosses nosso, ó mar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valeu a pena? Tudo vale a pena&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a alma não é pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quer passar além do Bojador&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem que passar além da dor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deus ao mar o perigo e o abismo deu,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nele é que espelhou o céu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aí temos o verdadeiro coração português e que, por herança, se faz o coração de todo brasileiro. Lamenta-se o poeta do que poderia ter sido e não foi. Do filho que reza a espera do pai e da mulher que ficou para “titia”, para usar uma expressão moderna. Mas para tudo isso há uma justificativa, a busca pelo novo, pelo desconhecido, corre em nosso sangue, embora provoque muitas lágrimas salgadas capazes de encher o Atlântico. E na poesia, esses “amores” abandonados são menores perante o mundo a ser descoberto, pois não temos a alma pequena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porém, estas grandes almas choram por companhia. E, talvez, ao comerem um pedaço do bolo de Santo Antônio, elas, solitárias, se encham de esperança num milagre, porque para os lusitanos e brasileiros, a esperança e o milagre também vão bem quando juntos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33289621-115644150354652806?l=cronicastropicais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/feeds/115644150354652806/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33289621&amp;postID=115644150354652806' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/115644150354652806'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33289621/posts/default/115644150354652806'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://cronicastropicais.blogspot.com/2006/08/casamento-hoje-s-se-for-milagre.html' title='Casamento hoje, só se for milagre'/><author><name>José Fernando Nandé</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04335802231340233274</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='32' src='http://4.bp.blogspot.com/_asresgVdt54/TNvahrKkUMI/AAAAAAAADoQ/QhNXVrkjRaw/s1600-R/157267_100000139041958_5788083_n.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
